Encalhe de baleias na costa brasileira bate recorde em 2021

Baleia encalhada no balneário Atami, Pontal do Paraná PR
Imagem: Cesar Ramires/ Prefeitura Municipal de Pontal do Paraná

 

Fotografar ou filmar animais marinhos próximo da costa é, em geral, um privilégio e motivo de alegria para pesquisadores. Infelizmente não é o que tem acontecido em 2021, que até agora já conquistou um triste recorde: 140 animais encalhados na costa brasileira, o que significa o dobro do ano inteiro de 2020. O número mais alto tinha sido em 2017 com 122 ocorrências registradas. No litoral paranaense são 11 encalhes confirmados até o dia 22 agosto.

Dos 11 animais que apareceram encalhados no litoral paranaense, oito eram juvenis, um adulto e dois indeterminados. A maioria tinha entre sete e dez metros e o maior tinha 13 metros de comprimento, segundo informações dos pesquisadores do CEM (Campus Pontal do Paraná – Centro de Estudos do Mar UFPR).

 

Foto: IGUi Ecologia

Ciclo de reprodução

Os números inéditos acendem um alerta na comunidade científica. A baleia jubarte está se recuperando em termos de tamanho populacional, saindo da lista de extinção. Elas nadam milhares de quilômetros saindo da Antártida em busca de águas tropicais entre os meses de junho e novembro, para acasalar, dar à luz e amamentar seus filhotes. Os animais dessa espécie podem viver cerca de 50 anos.

O que pode estar acontecendo com a jubarte na costa brasileira

Ela se alimenta na região antártica, que tem sido uma das mais afetadas pelas mudanças climáticas globais, e isso pode ser um dos fatores que está influenciando os padrões de migração. Outra suposição dos pesquisadores está relacionada a oferta do “krill”, um pequeno crustáceo localizado na região da Antártica e que serve de alimento às baleias.

Segundo Camila Domit, Bióloga, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, “as jubartes juvenis, estão muito magras, e isso é um alerta para os pesquisadores, pois indica que esses animais não estão conseguindo buscar alimento suficiente na região Antártica no período pré migração, e com o desgaste maior na migração acabam expostas a doenças em função da debilitação do sistema imunológico”.

Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte afirma que “as baleias com idade reprodutiva em torno dos seis anos conseguem chegar até a Bahia e realizar ao ciclo normal de reprodução. As mais jovens com idade em torno de cinco anos estão parando no litoral sul e sudeste em busca de alimento e, ficando mais próximas da costa, estão mais predispostas ao encontro com as redes e embarcações, gerando acidentes e encalhes”.

Outro fator que precisa ser considerado é o de que a espécie jubarte saiu da lista de animais em extinção, aumentando a sua população. Como consequência mortes naturais também se tornaram mais frequentes.

O que podemos fazer para evitar os encalhes?

No momento a sobreposição de áreas utilizadas para navegação, pesca, utilização de recursos naturais e uso pelas baleias tem causado um número significativo de mortalidade da espécie. A interação com as redes de pesca (emalhe) também já é um dos mais significativos dos últimos tempos. Isso não é bom para os pescadores que perdem suas redes e nem para as baleias que vão a óbito. Uma situação de conflito que demanda um esforço de planejamento e gestão participativa que precisa ser colocada em prática.

Para Camila Domit, a solução pode vir de um diálogo mais amplo nos próximos anos com os atores da pesca e com os que que utilizam os recursos naturais costeiros pode gerar o entendimento dos motivos pelos quais as baleias estão se aproximando das áreas mais rasas da região costeira, em especial na região sudeste e sul brasileira e de como será tratada a sobreposição das áreas de uso para navegação, pesca e de uso pelas baleias.

A situação desses animais é um desafio para gestores e pesquisadores, que devem trabalhar em parceria para que no próximo ano de temporada de migração. O caminho é o uso harmônico e de respeito ao espaço territorial marinho.

 

 

 

Carla Nagibe

Carla Nagibe é jornalista, formada em Letras, Gestão de Turismo e especialista em Administração de Marketing.

Apaixonada pelo Brasil e por viagens, aborda nessa coluna aspectos que relacionam o turismo ao desenvolvimento das cidades, culturas locais, gastronomia, produtos turísticos e tudo que estiver relacionado a esse instigante universo.

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